O Leia Brasil é uma ONG que tem diversos projetos ligados à leitura no Brasil. Dois links do portal nos interessam aqui. Um é o <www.leiabrasil.org.br/pdf/cartas_pb.pdf>, que traz a revista “Leituras compartilhadas” exclusivamente abordando o tema “Cartas”, e o outro é <www.leiabrasil.org.br/index.aspx?leia=conteudo/carta_sobre_um_tempo>, que traz um texto em forma de carta escrito por Marta Morais da Costa, professora, para falar sobre um encontro temático sobre cartas realizado no Paraná.
Esse endereço conduz o professor a um programa do governo brasileiro de intercâmbio entre escolas de diferentes realidades sociais e culturais de todo o país e até do exterior. Estudantes, pais, professores e funcionários das escolas são convidados a descobrir costumes, ambientes, vivências e manifestações culturais de outros lugares. Todos têm a oportunidade de aprender e ensinar, de mostrar experiências, descobrir diferenças e reconhecer as semelhanças. Os professores compartilham materiais didáticos e os alunos criam novas amizades por meio de cartas. Esse fluxo constante permite aos educadores a reciclagem dos conhecimentos e incentiva, entre os estudantes, o hábito da leitura e da escrita. A relação de parceria entre as “escolas irmãs” ajuda a minimizar as carências de materiais, de equipamentos didáticos e paradidáticos, promove a inclusão digital, melhora as condições das bibliotecas escolares e da merenda. Bom momento também para o professor trabalhar o tema transversal da pluralidade cultural.
Bem-te-vi Produções, 2003.
O professor que ensina aos seus alunos literatura moderna no Brasil vai aproveitar bem este livro, que traz fac-símiles de originais das cartas, fotos, ilustrações, além de uma vasta bibliografia e índice onomástico. Trata-se da correspondência mantida entre Carlos Drummond de Andrade e Mario de Andrade entre 1924 e 1945. A de Drummond é inédita, e a de Mario já foi publicada por Carlos Drummond nos anos 1980. O diálogo epistolar entre os dois poetas é fonte muito rica para o professor em sala de aula – para trabalhar o próprio gênero e para conhecer o poeta-homem por trás de sua obra.
Editora FTD, 2006.
Muitas coisas que queremos ou temos de conseguir na vida só acontecem se a gente souber pedir. E, às vezes, para pedir é preciso saber escrever uma carta de solicitação. Em outros momentos, vivemos situações em que precisamos defender nossos direitos para não sermos feitos de bobo e, então, também é preciso escrever um outro tipo de carta: a carta de reclamação. É desses dois tipos de carta que trata esse livro. Os dois têm em comum o fato de precisarem se utilizar de um texto com argumentações para sustentar os pedidos ou as reclamações. O livro objetiva levar o aluno ao domínio desses dois gêneros em questão e, também, desenvolver capacidades linguísticas próprias da argumentação.
Editora Salamandra, 2005.
O professor Marcos Moraes reúne uma bela seleção de remetentes brasileiros de diversas épocas, todos eles apresentados com erudição. As cartas foram escritas no Brasil Colônia, no Império, até os tempos atuais: Luís Gama, Olavo Bilac, Machado de Assis, Mario de Andrade, Cecília Meireles, Rodrigo Ponts, João Antônio. Há ainda Gonçalves Dias e Monteiro Lobato, até mesmo e-mail de Walnice Galvão. Correspondências entre pessoas famosas, cartas a jornais ou e-mails revelam o gênero como escritura do eu, testemunho e criação literária.
Intéprete: Cássia Eller
Acústico MTV Cássia Eller, 2001.
O que você faria se, de repente, ouvisse no rádio a sua carta de amor musicada por uma outra pessoa?
Mas esse cara tem a língua solta
A minha carta ele musicou
Tava em casa, a vitamina pronta
Ouvi no rádio a minha carta de amor
Dizendo “eu caso contente,
papel passado, presente
desembrulhado, vestido,
eu volto logo me espera
Não brigue nunca comigo
eu quero ver nossos filhos
O professor me ensinou
a fazer uma carta de amor”.
Dora (Fernanda Montenegro) escreve cartas para analfabetos na Central do Brasil. Nos relatos que ela ouve e transcreve, surge um Brasil desconhecido e fascinante, um verdadeiro panorama da população migrante, que tenta manter os laços com os parentes e o passado.
Uma das clientes de Dora é Ana, que vem escrever uma carta com seu filho, Josué (Vinícius de Oliveira), um garoto de nove anos, que sonha encontrar o pai que nunca conheceu. Na saída da estação, Ana é atropelada e Josué fica abandonado. Mesmo a contragosto, Dora acaba acolhendo o menino e envolvendo-se com ele. Termina por levar Josué para o interior do Nordeste, à procura do pai.
À medida que vão entrando país adentro, esses dois personagens, tão diferentes, vão se aproximando… Começa então uma viagem fascinante ao coração do Brasil, à procura do pai desaparecido, e uma viagem profundamente emotiva ao coração de cada uma das personagens do filme.
Ilustrador: Joel Rufino. Editora Rocco, 2000.
Um luta desesperada e inglória de um pai na tentativa de evitar sofrimentos a um filho. Assim são as cartas enviadas pelo historiador Joel Rufino a Nelson, então com 8 anos, durante o tempo em que esteve encarcerado como preso político no Presídio do Hipódromo, em São Paulo, entre 1973 e 1974. Assim como o protagonista do filme “A vida é bela”, Joel fez de tudo para esconder uma trágica verdade de seu filho. Mas seu objetivo não foi alcançado: sem ver o pai há muito tempo, Nelsinho entende que fora abandonado. Surge para Joel o maior dos desafios: explicar a uma criança que está preso, mas não é bandido.
Ilustrador: Nick Brantock. Tradutor: Wanda Caldeira Brandt. Editora Marco Zero, 1994.
Griffin & Sabine é uma obra magnífica que seduz o leitor com a arte dos postais e com a história de amor que os envolve. O autor num estilo irresistível convida o leitor a abrir esplêndidos envelopes e tirar cartas delicadamente ilustradas e, desta forma, participar de uma intrigante e mágica história. (Comentário do leitor de 27.11.2009)

