
Intéprete: Cássia Eller
Acústico MTV Cássia Eller, 2001.
O que você faria se, de repente, ouvisse no rádio a sua carta de amor musicada por uma outra pessoa?
Mas esse cara tem a língua solta
A minha carta ele musicou
Tava em casa, a vitamina pronta
Ouvi no rádio a minha carta de amor
Dizendo “eu caso contente,
papel passado, presente
desembrulhado, vestido,
eu volto logo me espera
Não brigue nunca comigo
eu quero ver nossos filhos
O professor me ensinou
a fazer uma carta de amor”.
Dora (Fernanda Montenegro) escreve cartas para analfabetos na Central do Brasil. Nos relatos que ela ouve e transcreve, surge um Brasil desconhecido e fascinante, um verdadeiro panorama da população migrante, que tenta manter os laços com os parentes e o passado.
Uma das clientes de Dora é Ana, que vem escrever uma carta com seu filho, Josué (Vinícius de Oliveira), um garoto de nove anos, que sonha encontrar o pai que nunca conheceu. Na saída da estação, Ana é atropelada e Josué fica abandonado. Mesmo a contragosto, Dora acaba acolhendo o menino e envolvendo-se com ele. Termina por levar Josué para o interior do Nordeste, à procura do pai.
À medida que vão entrando país adentro, esses dois personagens, tão diferentes, vão se aproximando… Começa então uma viagem fascinante ao coração do Brasil, à procura do pai desaparecido, e uma viagem profundamente emotiva ao coração de cada uma das personagens do filme.
Ilustrador: Joel Rufino. Editora Rocco, 2000.
Um luta desesperada e inglória de um pai na tentativa de evitar sofrimentos a um filho. Assim são as cartas enviadas pelo historiador Joel Rufino a Nelson, então com 8 anos, durante o tempo em que esteve encarcerado como preso político no Presídio do Hipódromo, em São Paulo, entre 1973 e 1974. Assim como o protagonista do filme “A vida é bela”, Joel fez de tudo para esconder uma trágica verdade de seu filho. Mas seu objetivo não foi alcançado: sem ver o pai há muito tempo, Nelsinho entende que fora abandonado. Surge para Joel o maior dos desafios: explicar a uma criança que está preso, mas não é bandido.